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quinta-feira, 24 de novembro de 2016
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Poeme-se na mídia
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Poeme-se na mídia
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
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terça-feira, 2 de dezembro de 2014
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Samba, de todos os cantos, obrigado por enxugar meu pranto
Por Carlos Pinho
A minha fé renasce a partir dos sambas que vivo, que ouço e que faço
No samba não há dogma e nem perseguição
O samba é de todos os deuses e de nenhum
É o amor, sem barreiras nem amarras, cantando por si
E quando estou triste, entregando os pontos de tão cabisbaixo,
É no seu compasso que me refaço
Mais forte, mais sensato, com uma paz sem dimensão
Meu sacro-profano samba, nem sei o que seria de mim sem ti
Por tantas já passei, e os bambas do céu e da terra mal sabem
As vidas que já salvaram com a sabedoria dos seus versos
E a exatidão dos acordes que parecem comuns
No entanto, dizem mais que sermões imersos
Nas profundezas do ódio; nem mantras, tampouco orações foram além
Somente o samba tocou minh’alma e, com uma voz materna...
Foi capaz de ensinar que esse coração não é reles,
nem tão-somente mais um.
O samba é de todos os deuses e de nenhum
É o amor, sem barreiras nem amarras, cantando por si
E quando estou triste, entregando os pontos de tão cabisbaixo,
É no seu compasso que me refaço
Mais forte, mais sensato, com uma paz sem dimensão
Meu sacro-profano samba, nem sei o que seria de mim sem ti
Por tantas já passei, e os bambas do céu e da terra mal sabem
As vidas que já salvaram com a sabedoria dos seus versos
E a exatidão dos acordes que parecem comuns
No entanto, dizem mais que sermões imersos
Nas profundezas do ódio; nem mantras, tampouco orações foram além
Somente o samba tocou minh’alma e, com uma voz materna...
Foi capaz de ensinar que esse coração não é reles,
nem tão-somente mais um.
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Os primeiros passos do samba

Quadro de Heitor dos Prazeres
Por Rodrigo Shampoo
No final do século XIX, a modinha, o lundu e o maxixe eram os ritmos musicais nacionais predominantes no cenário carioca, juntamente com os ritmos estrangeiros como a valsa, a polca e a música erudita, muito apreciada pela elite. Com a abolição da escravatura, os negros livres se reuniam nos grandes centros urbanos para dançar e cantar em cultos religiosos de origem africana, preservando sua cultura adaptada à realidade brasileira. Normalmente, os terreiros onde aconteciam essas reuniões eram as casas das tias baianas. E a mais famosa delas foi a da Tia Ciata. Lá, se reuniam também alguns nomes da música brasileira ainda desconhecidos.
Por ser a capital do Brasil, o Rio de Janeiro atraiu migrantes de todas as partes do país, tornando-se um verdadeiro emaranhado de raças e culturas. O estado desenvolveu então uma música própria, que reunia influências de quase todas as regiões do país. Essa união de pessoas de diversas raças e culturas ocorria em diversas camadas da sociedade, “desde a Casagrande à Senzala”. Foi justamente essa junção de culturas regionais que trouxe os instrumentos das zonas rurais de Minas Gerais e do Rio de Janeiro e os tambores da Bahia para se unirem aos cultos religiosos de origem africana.
E foi assim que nasceu o samba, em um cenário controverso, pois os ritmos que faziam parte da sua construção, a modinha, o choro, a marcha, o maxixe, o jongo e o lundu, ao mesmo tempo em que eram tocados em grandes salões, em casa de políticos e de intelectuais, eram também renegados por boa parte da elite e perseguidos pela polícia. O samba passou realmente a ganhar força como música nacional com o movimento modernista iniciado por Mario de Andrade e Oswald de Andrade e defendido também por Gilberto Freyre, Graça Aranha, Sílvio Romero, Lima Barreto, Afonso Arinos, entre outros, que buscavam uma valorização da “coisa brasileira”. Os ritmos nacionais, a cultura negra , o mulato e o mestiço foram os principais beneficiados por esse movimento, que seria responsável por uma “reviravolta”, que deixou de lado o vanguardismo internacional para valorizar uma imagem de cultura nacional.
Ao longo da história, há vários relatos sobre encontros de intelectuais, fazendeiros, políticos, aristocratas, escritores e outros membros da elite com músicos das camadas mais populares. Essas reuniões foram fundamentais para o surgimento de ritmos genuinamente brasileiros, como o samba, e, mais tarde, para a transformação deste samba em símbolo da identidade nacional.
Os primeiros registros desses encontros começam no final do século XVIII, com a invenção da modinha. Segundo o historiador Hermano Vianna, “José Ramos Tinhorão, um dos mais importantes historiadores da música popular brasileira, descreve a modinha como um ritmo nacional inventado por mulatos das camadas populares de se tocar canções líricas portuguesas”. As modinhas normalmente abordavam temas amorosos e eram acompanhadas por instrumentos de corda como o violão ou o bandolim.
Após a independência do Brasil, a modinha passou a ser parte integrante da corte, mesmo ainda mal vista por boa parte da nobreza. Mesmo assim, abriu as portas para a entrada do lundu na corte de Dom Pedro I. Em meados do século XIX, a renovação da modinha teve participação de vários segmentos da sociedade brasileira. Como conta Gilberto Freyre: “A modinha foi um grande agente musical de unificação brasileira, cantada, como foi, no Segundo Reinado, por uns ao som do piano, no interior das casas nobres e burguesas, por outros, ao som do violão, ao sereno ou à porta até de palhoças”.
Catulo da Paixão Cearense
Catulo da Paixão Cearense foi um bom exemplo da unificação das classes populares com a elite. Teve papel fundamental na mediação das classes sociais. Foi durante a belle époque carioca, entre 1898 e 1914 – um período em que a elite tentava pôr fim ao Brasil antigo, um Brasil “africano”, endeusando o modelo de civilização parisiense – que Catulo da Paixão Cearense e o violonista João Pernambuco conquistaram a elite com músicas regionais. Suas modinhas faziam sucesso nas reuniões lítero-musicais e nos saraus nas casas de políticos e de intelectuais, e até mesmo no Palácio do Catete.
Ainda assim, com o sucesso alcançado pela música sertaneja e pela modinha, os ritmos europeus e norte-americanos dominavam os salões durante os carnavais. Apesar do domínio estrangeiro, o repertório da folia brasileira era bem variado, ía desde o lundu, o maxixe e o xote à valsa, ao foxtrote e à polca. Essa mistura de música estrangeira com alguns ritmos nacionais imperou por décadas nos carnavais até o samba se consolidar, em meados da década de 1930.
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
Que saudade do Mussum!
O Brasil perdia Antônio Carlos Bernardes Gomes, o popular Mussum, há exatos 17 anos. Para homenagearmos esse grande artista, que mesclava humor e samba na medida certa, selecionamos três momentos de sua carreira. O primeiro, no festival de música de 1968, integrando os Originais do Samba ao lado da diva Elis Regina. Depois, um momento de descontração numa animada roda de samba debaixo da lendária tamarineira do Cacique de Ramos. E, para fechar com chave de ouro, uma de suas impagáveis atuações em “Os Trapalhões”. Divirta-se!
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terça-feira, 24 de maio de 2011
O samba, segundo Cyro Monteiro
Por Carlos Pinho
Cyro Monteiro nasceu no bairro do Rocha, zona norte do Rio de Janeiro, em 28 de maio de 1913. Sobrinho de pianista, desde cedo já sabia que seu destino seria a música. Numa das muitas reuniões musicais em que participou na casa do tio, Ciro chamou a atenção de Sílvio Caldas, um dos cantores de maior sucesso na época e que acabou sendo o responsável pelo seu lançamento. Em 1938, emplacou o primeiro sucesso: Se Acaso Você Chegasse, de Lupcínio Rodrigues.
Mestre do samba sincopado, gênero marcado pelo ritmo quebrado, gingado e pelo fraseado sinuoso, Cyro Monteiro foi a personificação plena do jeito carioca de ser. Com um estilo único de cantar e de batucar na caixinha de fósforo, ficou conhecido como “o cantor das mil e uma fãs”. Pelos amigos, era chamado de “Formigão”.
Em 1956, se aventurou na carreira de ator ao participar da peça “Orfeu da Conceição”, de Vinícius de Moraes. Uma história que ficou muito conhecida e que virou música ("Ilmo. Sr. Cyro Monteiro" ou "Receita para virar casaca de neném", que envolve o cantor Chico Buarque, sua filha, Sílvia Buarque e uma camisa rubro negra). O próprio Cyro conta o “causo”, em entrevista de 1972, sentado à mesa com Sérgio Cabral, Elke Maravilha, Lúcio Alves e Carminha Mascarenhas:
Flamenguista e mangueirense, o carismático cantor tinha grande capacidade em fazer amigos, como relata Vinícius de Moraes na contracapa do álbum Senhor Samba, de 1961: "Uma criatura de qualidades tão raras que eu acho deplorável qualquer de seus amigos não se haver dito, num dia de humildade, que gostaria de ser Cyro Monteiro. Pois Cyro, para lá do cantor e do homem excepcional, é um grande abraço em toda a humanidade”.
Ciro morreu em 13 de julho de 1973, aos 60 anos.
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
O feitiço de Noel Rosa
Por Carlos Pinho
Sambista por natureza. Poeta em sua essência. Boêmio de corpo e alma. Assim era Noel Rosa, o poeta da Vila, dono de uma obra riquíssima para uma vida abreviada precocemente. Nascido de um parto difícil, os médicos tiveram de usar um fórceps para salvarem a mãe e o filho, causando-lhe a marcante lesão no queixo. Além disso, tinha um problema pulmonar crônico.
Uma preocupação que acabou em samba.
Desde muito cedo, o aspecto franzino de Noel foi motivo de preocupação de sua mãe, dona Marta. Ela não gostava das escapulidas do filho, exigindo-lhe que voltasse cedo para casa. Certa vez, escondeu todas as suas roupas, ao saber que ele sairia num sábado. Os seus amigos, ao chegarem para apanhá-lo, ouviram de um confuso Noel: “Com que roupa?” A situação inusitada virou samba e sucesso no carnaval de 1931.
A faculdade de medicina
Autor de pérolas da nossa música, como “Feitio de oração” e “Conversa de botequim”, poucos sabem que Noel quase enveredou na carreira de médico. Do período na faculdade, compôs “Coração”. Perdeu-se um médico. Ganhou-se um mestre do samba.
Noel Rosa X Wilson Batista
Noel travou, em sua curta carreira, uma disputa que ficou marcada na história do cancioneiro popular, com o, também sambista, Wilson Batista. Por meio de canções, ambos se alfinetavam e a “briga cantada” teve grande repercussão. Só para se ter uma ideia, a partir dessa rivalidade, surgiram lindos sambas, tais como “Feitiço da Vila” e “Palpite infeliz”.
Mensageiro entre dois mundos
Noel teve grande importância na história do samba, levando o gênero do morro para o conhecimento do asfalto. Numa época em que a distância entre o morro e o asfalto era gritante, o poeta da Vila Isabel – área de classe média – era frequentador assíduo das periferias, onde fez amizade e sambas com nomes do calibre de Cartola, Heitor dos Prazeres, Donga, Ismael Silva, entre outros.
Suas composições são retratos de sua época, verdadeiras crônicas musicadas, feitas sobre os casos mais corriqueiros. Exemplo disso, foi o samba “Não tem tradução”, sobre a moda dos estrangeirismos na nossa língua, causada pela onda dos filmes franceses e americanos ("Amor lá no morro é amor pra chuchu/ As rimas do samba não são ‘I love you’/ E esse negócio de ‘alô’, ‘alô, boy’, ‘alô Johnny’/ Só pode ser conversa de telefone"). Outras, possuem uma triste atualidade, como “Filosofia” ("Nessa podridão sem fim/ Vou fingindo que sou rico/ Pra ninguém zombar de mim").
A Boemia e os últimos anos
A vida boêmia acabou por comprometer a sua, já combalida, saúde. O pouco que ganhava pelas suas composições e a ajuda da mãe, Noel gastava com mulheres e bebidas, no sereno da madrugada. Sofrendo de tuberculose, morreu no Rio de Janeiro, em 04 de maio de 1937, aos 26 anos.
Abaixo, confira o vídeo com a canção "Com que Roupa?", contendo fotos desse baluarte do samba:
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
Mussum Forevis
Por Carlos Pinho
“Criôlo é a tua véia!”
“Eu vou me pirulitar!”
“Casa, comida, três milhão por mês, fora o bafo!”
“Vai caçá sua turmis!”
Quem não conhece pelo menos uma dessas frases hilárias? Dono de um humor espontâneo e inconfundível e sambista oriundo do Cacique de Ramos, o fundador do conjunto Os Originais do Samba, Antônio Carlos Bernardes Gomes, o popular Mussum, nasceu no dia 7 de abril de 1941. Se vivo estivesse, teria completado 70 anos ontem. Seu apelido teria sido dado por Grande Otelo, nos bastidores do programa Bairro Feliz, da TV Globo, em 1965.
Carioca, ganhou projeção nacional quando passou a fazer parte do grupo Os Trapalhões. Juntamente com Dedé, Didi e Zacarias, formou um dos maiores sucessos de audiência na televisão. Com os Originais do Samba, canções irreverentes como “Tragédia no Fundo do Mar” fizeram grande sucesso.
Mussum, que serviu na Força Aérea Brasileira por oito anos, morreu no dia 29 de julho de 1994, aos 53 anos, não resistindo a um transplante de coração.
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Luto no mundo do samba
![]() |
| crédito fotográfico: R7 |
Era obra de um ano. Um ano de suor para dar vida a uma idéia. Dos meros vergalhões, uma estrutura de alegoria. As plumas e paetês enfeitando as fantasias. Pessoas trabalhando com afinco, dia e noite, dormindo no barracão, para garantir que tudo terminasse dentro do prazo. O fruto de um trabalho árduo consumido pelas chamas. Mas a esperança é chama que não se apaga.
Um grande incêndio nos barracões das Escolas de Samba Grande Rio, União da Ilha e Portela comprometeu, e muito, a beleza e a conclusão de seus projetos para o desfile na Sapucaí. A União da Ilha, que iniciou os trabalhos de preparação do Carnaval em junho do ano passado, perdeu quase todas as fantasias de seu enredo “O Mistério da Vida” e ainda teve uma de suas alegorias prejudicada. A Portela, segundo seu carnavalesco, Roberto Szaniecki, teve uma perda aproximada de 90% de seu Carnaval, entre alegorias, fantasias e adereços.
A Grande Rio, agremiação de Duque de Caxias, considerada por muitos uma das favoritas para esse ano, foi a que mais sofreu com o fogo. Ao ver o cenário de destruição, Helinho Figueiredo, presidente da Escola, chegou a passar mal na praça de alimentação da Cidade do Samba. A desolação é enorme em Caxias. A Grande Rio é muito amada por todos na cidade, que lamenta profundamente a tragédia.
Dirigentes da Portela, desesperados com a situação, tentaram, a todo custo entrar para recuperar o que pudesse, mas foram contidos pelos policiais. Componentes da União da Ilha, escola de tantos sambas imortais, olhavam aos prantos.
Mais do que nunca, a força das comunidades, que transformam os sonhos dos enredos em realidade no palco maior da folia, será necessária. Um povo que terá de enxugar as lágrimas, “levantar a poeira e dar a volta por cima”, como diz o eterno samba de Paulo Vanzolini.
O luxo das alegorias e a beleza das fantasias são importantes nessa festa, que, cada vez mais, atrai o olhar do mundo. No entanto, o diferencial sempre foi e sempre será a garra inesgotável dos operários da folia, o samba cantado com amor e devoção pelos componentes, o requebrado das passistas, o bailar elegante do mestre-sala e da porta-bandeira e o girar harmonioso das baianas, essência desse patrimônio histórico da nossa gente.
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Homenagem ao dia do Samba
Por Rodrigo Shampoo
Nasceu gigante
Peço licença
Aos que fizeram história.
Pois muito acima de qualquer crença,
Eles ficaram na memória.
Declaro minha paixão,
Batendo na palma da mão.
Tudo começou com uma reunião.
Ô Limoeiro, ô limão!
Na casa da Tia Ciata,
Nascia muito mais do que remelexo de mulata.
Era a primeira roda de samba
No terreiro de bamba.
Sob a flauta de Pixinguinha,
Fazia-se o chorinho,
Seguido da marchinha,
Enquanto chorava o cavaquinho
Nas mãos do Mano Heitor.
Era o samba com amor.
Chegavam junto o jongo, lundu, maxixe e a modinha
Com ritmos desceram com os escravos da Bahia
Nos rituais de Candomblé.
Os malandros já vinham ao mundo com samba no pé.
E eu, humilde brasileiro,
Não batuco no pandeiro,
Não sou passista,
Tampouco ritmista!
Mas pelas veias correm sangue.
Não de artista.
Sangue de sambista!
O que faz de mim o filho do samba?
Não é minha ginga não!
Também não sou um grande folião!
Não é meu talento.
E sim meu argumento.
O samba sufoca a tristeza
Com destreza.
Fazendo do sofrimento,
Um breve momento,
Pois logo chega a alegria,
É o raiar do sol anunciando um novo dia.
Está na voz do povo,
É a chocadeira do ovo.
Peço licença!
João da Baiana, Sinhô, Cartola;
Chico Buarque, Monarco, Paulinho da Viola;
Noel Rosa, Vinicius de Moraes;
Candeia, Ary Barroso, Jorge Aragão;
Ismael Silva, Donga, Jamelão;
Beth Carvalho, Dona Ivone Lara;
Bide, Marçal, Zeca Pagodinho;
Jovelina, Caymmi, Nelson Cavaquinho;
Martinho da Vila, Heitor dos Prazeres;
Clara Nunes, Alcione, Tom Jobim;
Elza Soares, Sombrinha, Herivelto Martins;
Bezerra da Silva, João Gilberto;
Almir Guineto, Reinaldo, Arlindo Cruz;
Moacir Santos, Moreira da Silva, Moacyr Luz;
Carlos Cachaça, Dudu Nobre;
Dicró, Heitorzinho, Silas de Oliveira;
Satur, Leci Brandão, João Nogueira...
Entre tantos outros que aqui não mencionei,
No coração eu os guardarei.
E, no fim desta poesia,
Faço deste samba minha alegria!
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