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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

À vista ou a prazo?



Por Rufino Carmona

Conheço muita gente que diz o seguinte: “Compro tudo à vista. Nunca fiz uma prestação na vida e nem tenho cartão de crédito”. Quem sou eu para discordar dessas pessoas. Se conseguem viver bem dessa maneira devem seguir nesse mesmo rumo. Mas a questão não é dizer quem está certo ou errado, até porque, nessa história, não existe nada que seja absolutamente certo nem absolutamente errado.

A grande questão é tentarmos visualizar a situação por diferentes ângulos e chegarmos à conclusão sobre qual o melhor caminho para percorrermos. Em primeiro lugar, é indiscutível que, ao parcelar uma compra, o estabelecimento embute juros, apesar de afirmar o contrário.

Como é possível se pagar uma mercadoria à vista pelo mesmo preço do que em dez vezes? Então, gente, quando optar pelo pagamento à vista, você deve pedir um bom desconto. Geralmente, as lojas oferecem entre 3% e 5%, se você pedir, é claro. Se não pedir, vai pagar o mesmo que a prazo.

Mas, no meu entender, o desconto deveria ser de, no mínimo, 10%. Os juros brasileiros são tão altos que a perda desse lojista quando vende em prestações certamente é muito superior a 10%. E quem disse que ele perde?

Então já sabemos que o pagamento à vista precisa ser bem recompensado. Agora, se você sabe controlar suas despesas e trabalha bem com o cartão de crédito e com o cheque especial, as parcelas são muito bem vindas sim. Você pode adquirir um bem, que não teria como pagar à vista, parcelando por vários meses.

Como eu já ressaltei em outras colunas, ter crédito é muito bom e muito saudável para a economia como um todo. Quando compramos, ainda mais a crédito, isso impulsiona os empresários a investirem mais, o que gera mais empregos e mais vendas e novamente mais empregos e mais vendas e assim por diante. É um circulo virtuoso. O crédito alavanca a economia, gera riqueza, renda e, em conseqüência, empregos.

Mas se você, apesar de não saber usar muito bem o crédito, mesmo assim não consegue guardar dinheiro para comprar à vista? Uma boa solução é pedir a orientação de um membro da família que tenha mais familiaridade com o assunto ou mesmo o seu gerente do banco. Mas se for ao gerente, cuidado para ele não vender para você seguros, títulos de capitalização e um montão de outros produtos e serviços de que você não esteja precisando no momento.

Enfim, não existe uma resposta certa para a pergunta proposta no título dessa postagem “À vista ou a prazo?”. Quem decide é você. Então, já que é assim, decida bem!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Armadilhas do crédito pessoal


Por Rufino Carmona

O assunto de hoje é crédito pessoal. Das modalidades de empréstimos existentes, essa é a que mais tem adeptos. É preciso ressaltar inicialmente que muitos escritórios, que põem até anúncios em jornais, concedem crédito sem autorização do Banco Central. Eles são tão agiotas quanto qualquer pessoa física que empresta dinheiro a juros. Por isso, muito cuidado para não entrar numa furada. Tem vezes em que pedem para você depositar uma quantia como garantia. E, no final, nem o empréstimo e muito menos o dinheiro de volta. Ou seja, roubo explícito.

Mas sobre agiotas, eu vou falar em uma coluna específica. Quero me ater aos bancos e financeiras que concedem crédito pessoal. Se você é correntista de um banco há algum tempo sempre vai conseguir uma taxa de juros melhor. Então, antes de pegar um crédito fácil por aí, consulte o seu gerente.

Mas, mesmo sendo um ótimo cliente do banco, não se iluda: dificilmente, os juros cobrados serão menores do que 4% ao mês, o que é uma distorção, se lembrarmos que a taxa Selic, fixada a cada 45 pelo Banco Central é de 12,5% ao ano. Enfim, pegar crédito no Brasil é coisa de maluco. O melhor mesmo é juntar dinheiro e comprar à vista. Crédito, gente, só em último caso.

E quanto às financeiras? Bem, esse é um capítulo à parte. Eu fico para morrer quando vejo alguém entrando numa daquelas lojas de rua que “vendem” dinheiro. Pegam, por exemplo, R$ 1000 para pagar em 12 meses. No final desse tempo, pagam cerca de R$ 2500.  É ou não é um absurdo? As financeiras até explicam razoavelmente bem o motivo de o crédito ser tão caro. Mas, mesmo que elas falem toda a verdade, acaba sendo uma grande armadilha para o consumidor. Normalmente, vira a famosa bola de neve.

Entre a melhor taxa do crédito pessoal, quando você é correntista de um banco e a mais cara, a das financeiras, existem muitas outras com todos os tipos de nomes. Mas volto a insistir: ter crédito é muito bom, mas saber usá-lo é que é o problema. O melhor é se organizar financeiramente e levar a vida com o que se tem. Não é legal trocar as noites de sono por nada nesse mundo!  

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Cheque especial


Por Rufino Carmona

Vou começar hoje a falar sobre alguns nomes conhecidos do nosso dia a dia financeiro, mas que ainda nos causam muita dor de cabeça. Como estreia, o cheque especial. Vou fazer uma pergunta a você que pode parecer meio estranha, mas que é muito importante ser respondida: “você sabia que não é obrigado, por nenhuma lei, a ter um limite ou um cheque especial em sua conta corrente?”.

Não sei qual foi a sua resposta, mas tenho algo a dizer sobre isso. Na maioria das vezes, apenas por ter um limite financeiro de que pode dispor, a qualquer momento, você paga uma taxa mensal ao banco. Ou seja, se você nunca usou e nunca pretende usar para quê continuar tendo?

Mas tem uma questão que acho bem mais importante que essa que citei acima. Fico indignado ao ver os bancos concederem aleatoriamente limites de crédito a aposentados e a pessoas que recebem somente seu salário através de contas corrente, por exemplo, sem nenhuma orientação. Gente: ter um limite disponível para uma emergência é muito bom, mas você precisa saber usar. Muitos, por desconhecimento, usam esse dinheiro como se fosse de sua propriedade.

Olha, eu já vi casos estarrecedores de pessoas que estavam endividadas até não poderem mais simplesmente porque não sabiam que esse dinheiro não era delas e usava tudo, todos os meses. O último caso que soube foi há dois dias. Um amigo meu me disse que o pai tinha R$ 3 mil de especial na conta salário e que havia gasto todo o dinheiro. Já havia um ano que, todos os meses, ao entrar o salário na conta, quase metade ia embora só para pagar os juros e repor parte do especial.

Ao saber da história, eu o recomendei que, se fosse possível, quitasse essa dívida, ou seja, repusesse esses R$ 3 mil e retirasse o cheque especial da conta do pai. Ele me contou então que possuía uma reserva em poupança. O problema foi então resolvido rapidamente. Orientei a ele que retirasse o dinheiro, cobrisse a conta do pai e retirasse, todo mês, R$ 300 do salário dele até chegar aos R$ 3mil, já que os juros da poupança que ele recebia eram muitíssimo inferiores ao juros que o pai pagava no especial. Mas fui categórico: de nada vai adiantar você fazer isso, senão for ao banco e retirar esse benefício da conta salário dele. E isso vai ser feito.

Fiquei feliz de ter ajudado a esse meu amigo. Mas se ele não tivesse o dinheiro na poupança seria mais complicado. Mesmo assim, ainda poderia renegociar a dívida com o banco, pagar em algumas prestações e retirar o especial da mesma forma. Seria mais dispendioso, porque os juros que o banco cobraria seriam bem maiores do que o juro zero que ele vai cobrar do pai. Mas, pelo menos, acabaria essa ciranda nada engraçada.

Se você tem cheque especial e não sabe usar ou se você conhece alguém nessa mesma situação do pai desse meu amigo, conversa com a pessoa sobre a possibilidade de renegociar a dívida e retirar o limite da conta. Só quem ganha, num caso como esse, é o banco.

Ter crédito, gente, é muito bom. Mas é preciso saber usar.