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segunda-feira, 21 de março de 2011

Tarefa difícil para um grande autor

Walcyr Carrasco, autor de Morde e Assopra
Por Ribamar Filho


Walcyr Carrasco tem um grande desafio a partir de hoje às 19h30. A nova novela da Rede Globo de Televisão, Morde e Assopra, vai ter que pagar um dobrado para substituir Ti Ti Ti, trama que terminu na útlima sexta-feira e que foi a melhor dos últimos tempos não só do horário, mas de toda a tedramaturgia brasileira. Tudo bem que era um remake. Mas um remake de três novelas e não só de uma. E, além do mais, vamos concordar que Maria Adelaide Amaral fez muito mais do que uma homenagem a Cassiano Gabus Mendes. Ela nos presenteou com uma versão a altura, um novelão para ninguém botar defeito.

O último capítulo teve de tudo um pouco: desfiles, finais felizes e o trio de protagonistas Claudia Raia, Murilo Benício e Alexandre Borges brilhando mais uma vez. Sem contar o elenco espetacular e as tramas muito bem montadas. Repare que foi uma das poucas novelas que não terminou com casamento no último capitulo. Hehehehe. Isso é só um detalhe, mas a brilhante versão da autora já entrou para a história da teledramaturgia brasileira, tanto que outros remakes já estão engatilhados, como O Astro, sucesso de Janete Clair em 1977.

Mas voltado ao talentoso Walcyr Carrasco, dono de grandes sucessos no horário das 18h como Chocolate com Pimenta, O Cravo e a Rosa e Alma Gêmea, além do mais recente, às 19h, Caras e Bocas, o autor parece vir cheio de fúria e vontade de fazer bonito.

A trama tem como base duas histórias centrais: uma que envolve um cientista (com um dos galãs do momento, e ótimo ator, Mateus Solano) e a sua criação, uma robô (a atriz Flávia Alessandra) com aparência de sua esposa falecida e outra com uma paleontóloga (a atriz Adriana Esteves) e um agricultor (o galã Marcos Pasquim) que travam uma “guerra”, ele tentando manter sua plantação de pé, mesmo local onde ela pretende fazer escavações para encontrar ossos de dinossauros.

Na apresentação à imprensa, Walcyr Carrasco informou que a trama de Morde e Assopra surgiu quando ele descobriu que Marília, cidade do interior de São Paulo, tem muitas ossadas de dinossauros. E como Marília tem forte influência da colonização japonesa - e o Japão é o país da robótica -, o autor uniu os dois mundos numa mesma novela.

Vamos sentir muita falta da briga de agulhas entre Victor Valentim (Murilo Benicio) e Jacques Leclair (Alexandre Borges), além da deslumbrante, e uma das melhores personagens da carreira de Claudia Raia, Jaqueline Maldonado. Da trama bem feita entre Marcela (Isis Valverde), Edgar (Caio Castro) e Renato (Guilhemer Winter), das amadas vilãs Luiza (Guilhermina Guinle) e Clotilde (Juliana Alves) e de temas tratados com naturalidade como o relacionamento gay, abordado com os personagens Julinho, Osmar e Thales, vividos respectivamente por Andre Arteche, Gustavo Leão e Armando Babaioff. Sem contar o grande elenco, que daria páginas e mais páginas.

Mas vamos ligar a TV hoje à noite e conferir o que Walcyr Carrasco tem a nos apresentar. Que ele seja muito bem sucedido nessa difícil empreitada.

Vem aí Morde e Assopra!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Futebol de R$ milhões de interesses


Por Carlos Pinho

O noticiário do futebol está agitado por conta da briga pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro no triênio 2012-2014. Na última quarta-feira, o Corinthians anunciou a saída do Clube dos 13, entidade que representa os clubes em negociações desse tipo. Ontem foi a vez dos dirigentes dos quatro grandes clubes do Rio se afastarem da entidade.

Agora, eles podem negociar diretamente com as emissoras de televisão. A Rede Globo é a atual detentora e a Band, sua parceira na empreitada futebolística. No final de 2010, começou a ser noticiada uma possível negociação do Clube dos 13 com a Rede Record, emissora que vem ameaçando a posição da Vênus Platinada e tem planos muito ambiciosos na busca pela liderança da audiência. A Rede TV! também demonstrou interesse em transmitir o Brasileirão pelos próximos três anos. Emissoras de tv fechada estão de olho na questão dos pacotes pay-per-view.

O que vem sendo ventilado na mídia: “A Rede Record, num lance ousado, ofereceu a possibilidade de alterar o horário da rodada de meio de semana para 20h” (do site O Vermelho, matéria de Marco Aurélio Mello). Uma atitude nesse sentido seria muito interessante para os amantes do futebol que saem tarde das partidas. E para os telespectadores também. Poderiam dormir mais cedo sem perder os grandes lances. Entretanto, seria péssimo para a Globo, pois veria os seus principais programas noturnos, o Jornal Nacional e a novela das nove, competindo com a paixão do brasileiro.

Seria um marco na história da televisão brasileira. A concorrência seria muito acirrada. Há vários anos, a emissora da Família Marinho domina as paradas de sucesso sem ser ameaçada diretamente. Um monopólio que só empobrece a qualidade das programações. Desde as produções da extinta Rede Manchete, do saudoso Adolpho Bloch, ninguém demonstrou estar disposto a tal duelo de modo tão declarado.

Independentemente de quem vença essa briga, o importante é buscar um contrato que faça jus às tradições e merecimentos dos clubes e que respeite o torcedor, com horários acessíveis e rentáveis. O ideal seria uma democratização na distribuição dos direitos, e não a exclusividade.

Isso sim seria pensar no melhor para o telespectador e para o esporte. O futebol brasileiro precisa acompanhar o avanço que o país em si vem vivenciando. Deixar o pensamento mesquinho de tempos nefastos. Focar na valorização do campeonato e deixar de lado as ganâncias individuais.

Afinal, não existe partida com uma equipe apenas, por maior que seja a sua importância.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Uma das campeãs de audiência na história da TV brasileira


Por Ribamar Filho

Em comemoração aos 60 anos da TV no Brasil, colocamos no ar um texto do jornalista Ribamar Filho, da equipe MercadoCom.


Palavras do jornalista: Este texto foi extraído da minha monografia, que teve como tema "Qual o papel da teledramaturgia no Brasil?". Essa é a conclusão do trabalho, apresentado em 2007 na UniCarioca. E não percam o próximo capítulo amanhã! Espero que gostem e comentem.


Quando iniciei minha pesquisa sobre a teledramaturgia brasileira, pensava em analisá-la sob duas vertentes: o entretenimento e a sua função social, debatendo temas de preocupação do cotidiano da sociedade como drogas, DST’s, homossexualismo, violência, corrupção entre outros. Mas após meses de estudo, cheguei à conclusão de que a teledramaturgia não pode ser rotulada. É um produto que já faz parte da cultura nacional.


Desde a década de 1950, quando teve início as primeiras tramas, com base ainda nos dramalhões cubanos e mexicanos, a teledramaturgia já assumia um caráter importante na cultura nacional: o de oferecer um entretenimento de fácil acesso (com o decorrer do tempo, tornou-se o produto mais lucrativo no cenário televisivo), abrangendo diversos públicos com histórias que cativam o telespectador.

O brasileiro passou a se ver, anos depois, no primeiro grande marco da teledramaturgia brasileira: Beto Rockfeller. A partir daí, criou-se mais uma vertente das tramas nacionais: a de colocar o povo na televisão, debatendo as injustiças, a corrupção, a violência entre outros assuntos que se tornaram parte, lamentavelmente, do cotidiano nacional.

As histórias de Betos, Roques, Sassás Mutemas, que são o espelho do nosso país, fizeram com que o brasileiro criasse o hábito de receber e aplaudir esse produto que cresceu e amadureceu no Brasil.

Já são sessenta anos de teledramaturgia nacional. Muita coisa mudou: a forma de editar, a fotografia, as grandes produções e o enovelar das histórias, que aumentaram em alguns meses. Os autores passaram a receber a ajuda de co-autores. No entanto, o co-autor mais importante é o público, aquele que liga o televisor, todos os dias, naquele mesmo horário, na mesma história, e manda o seu “pitaco” por carta, pessoalmente, através de pesquisas, telefonemas e, na atualidade, até por e-mail. O telespectador sempre acerta a mão da história, quando acontece algum deslize.

O papel da teledramaturgia nacional é o entretenimento. Mas isso não quer dizer que as histórias contadas há sessenta anos não sirvam também para demonstrar e evidenciar temas importantes do nosso país. É a junção de todos os ingredientes de um bolo, às vezes de chocolate, outras vezes de baunilha. Todos, sem exceção, levam ovos, farinha e leite. Mas só alguns têm cobertura e poucos vêm com recheio.

Tem as tramas com comédia, praia, sol, mulheres e homens bonitos, que apesar de fazerem algumas críticas aqui ou ali sobre determinado tema da atualidade, apelam mais para o humor. Outras trazem temas mais “pesados” para nos fazer refletir sobre o cotidiano do animal mais complicado do mundo, o homem. No entanto, todas elas se complementam nas histórias criativas e sempre mutáveis. Todas trazem como base o folhetim clássico: os vilões e os mocinhos, que, com o passar do tempo, tornaram-se mais reais, podendo cometer erros e acertos como todo ser humano. Isso tudo sem perder o charme e a irreverência dos personagens esquisitos, ou mesmo incríveis, e também os bordões, jeito de vestir e de se comportar que ditam a moda durante aqueles meses em que a história se desenrola.


Ainda temos as minisséries que trazem um valor estético ao tema. São obras mais fechadas, em que o telespectador não pode intervir, mas que promovem gratas surpresas na forma como são contadas, com fotografia, edição, direção e produção que fazem a diferença.


É difícil dizer como se faz uma teledramaturgia de sucesso. Mas a qualidade da produção nacional em relação às mexicanas, norte-americanas e cubanas, trouxeram um valor mais rico à teledramaturgia nacional. Os temas diferenciados, a ousadia na produção e a proximidade com o gosto do telespectador são os nossos grandes diferenciais.

A teledramaturgia é o profissional completo. Não fica centrada em somente uma vertente. É uma obra aberta, onde todos já deram a sua opinião. É o profissional que não ficou preso no tempo, mas evoluiu. As histórias de todos esses anos nos afetaram não só no pensamento, mas também na alma. Quem não chora ao ver aquela cena antológica, aquele personagem sofredor, a realidade de nossa sociedade? Quem não ri com as situações e personagens cômicos, não tão distantes da nossa realidade?

A teledramaturgia é o nosso espelho, às vezes intacto, às vezes quebrado, mas que mostra sempre o que queremos ver, em algum outro ângulo, num movimento catártico. Mostra a realidade da era da globalização com ênfase no aquecimento global e também os mitos e sonhos de nossos pensamentos mais sombrios. Ela é o consciente e o inconsciente persistente e presente.