segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sistema Elite de Ensino de Porto Alegre no G1


Mr. Lenha na Gula


Meta Certa na mídia



Apaixonados na mídia



Umas & Ostras na mídia



Arte Surpresa na mídia



quinta-feira, 20 de junho de 2013

Uníti Rio na mídia



Sistema Elite de Ensino na mídia



Ozorno na Veux Magazine


Nomangue Barra na mídia



quarta-feira, 19 de junho de 2013

Nada será como antes


Por Carlos Pinho

Percepções de um marco
  
Sobre a internet e a cobertura da imprensa

A internet mostrou do que é capaz nos últimos dias. O potencial mobilizador das redes sociais foi explorado de uma forma nunca antes vista na história deste país. Setores da mídia tiveram que readaptar suas narrativas, já que suas palavras não exercem o mesmo efeito de outrora na população. Isso ficou notório, por exemplo, quando José Luiz Datena, da rede Band de televisão, mesmo alterando a enquente "você é a favor dos protestos?" para "você é a favor dos protestos com baderna?", não conseguiu conter o avanço do “sim”, que triplicou o número de simpatizantes sobre o não. A crise, que assola a mídia tradicional e demite centenas de profissionais a cada mês, ficou mais do que evidenciada nesse processo.

Sobre o movimento

O movimento não teve cara, não teve líderes figurões, não teve partido, tampouco foi fomentado – ou contido - pela imprensa. Diferentemente do movimento dos caras pintadas, que pediu o impeachment do, então presidente, Fernando Collor de Mello, esse guarda uma espontaneidade incomum no histórico de mobilizações no país e natural de quem vem sendo açoitado ano a ano, calado, aprisionado em suas aflições e ao ouvir, a partir de uma brecha, o grito de indignação, que lhe é familiar e representa a sua causa, bota o pé na porta e se junta à catarse coletiva. A gota d’água foi o aumento na passagem de ônibus, estopim que rompeu a bolsa do comodismo e fez com que cada canto do Brasil desse à luz a algo que já estava em gestação há muito tempo. É o movimento do sentimento.

Por ser espontâneo, é difícil de ser totalmente coeso em seus meios de representação. Mas esse, considerando a grande multidão, manteve um comprometimento popular louvável. O uso da violência, por uma pequena parcela de brasileiros, só dá subsídios àqueles que querem manipular e desvirtuar o caráter do movimento. Mas, como disse, esse é o movimento do sentimento. E, quando se trata do povo, em massa, reunido para externar a sua opinião, para, de fato, se manifestar, trata-se também de algo que abarca uma gama de posições, matizes e níveis de repúdio, descrédito, esperança e estresse.  Enfim, sentimentos. Pode abarcar até os mal-intencionados, os oportunistas e os tendenciosamente infiltrados (lembre-se do que aconteceu no Riocentro em 1981). O que não podemos é substituir o todo pela parte.

O poder aquisitivo do brasileiro aumentou? Aumentou. Entretanto, o povo, que agora pode adquirir utensílios impensáveis em tempos de arrocho, vê o avanço dos preços, das tarifas, da precariedade dos serviços públicos, dos abusos do Estado, do ataque aos nossos direitos e da corrupção. São elementos suficientes para tirar qualquer trabalhador honrado do sério, concorda? Esse mesmo povo que vive na embalagem contraditória do primeiro mundo reivindica um conteúdo que faça jus ao título propagandeado pelos governantes em suas campanhas publicitárias. Ganhamos do Japão no futebol, no entanto, eles nos goleiam no que realmente importa.

Para quem faz questão de criticar a ação violenta - e criticável – de alguns brasileiros

Acho totalmente válido que critiquem também a violência do Estado, que desabriga cidadãos, que atira primeiro e só pergunta “quem é” depois, que desvia o nosso dinheiro e usa-o como bem entende, que despeja uma fortuna absurda - reunida a partir do nosso suor para manter o nome limpo na “praça” – em eventos que se resumem, no fundo, a dois meses de pura ilusão –, que ignora veementemente e calhordamente abismos e dilemas sociais gritantes e que não faz muita questão de esconder tais práticas e ainda ri da nossa cara em rede nacional.



Sobre a ação policial

Não vivemos numa democracia plena. A truculência policial, transmitida ao mundo, nas ações que tentaram coibir os manifestantes no Rio e em São Paulo na semana passada, evidenciou algo que alguns tentavam manter guardado na gaveta do esquecimento: a memória da ditadura. Os resquícios das práticas da época da ditadura abriram uma questão: estamos num processo de redemocratização que se estende desde o governo Geisel. Não vivemos numa democracia plena. Precisou-se de uma mobilização desse porte e, principalmente, durante um período de grande exposição do país para que fossem reveladas essas feridas mal cicatrizadas. Afinal, como cantava Cazuza, “meus inimigos estão no poder”. O triste é constatar que, aos “inimigos” historicamente infamados, incorporaram-se os traidores.

Sobre os políticos

Não tenho o que dizer além do que já disse. Mesmo porque ninguém abriu a boca até agora. Não sei, mas acho que temem algo. Quem sabe seja o povo? (até o fechamento deste artigo, nenhum político havia se pronunciado.)

Causas e efeitos

O problema não é de partido e nem as reivindicações tem caráter partidário. O problema é de um conjunto de práticas de um sistema que se perpetua há décadas. É o efeito de uma má digestão do brasileiro com relação a toda podridão que vem sendo exibida há anos como carne no açougue. Nosso dever é mostrar que não estamos dormindo no ponto diante dos desmandos, independentemente de quem esteja no poder.

Não temos partidos. Temos legendas que são trocadas de acordo com a conveniência do político. Poucos têm comprometimento ideológico. A esmagadora maioria se conduz pelas cifras e pela dança das cadeiras do poder. Discutir pessoas e partidos é inútil num sistema corrompido. Conhece a história da erva daninha? O que nós precisamos discutir é um país.

Algo muito importante pôde ser assistido e vivenciado no dia 17 de junho de 2013. Eu não estou meramente contemplando um passado bem recente - e antologicamente presente no presente. Estou vislumbrando o futuro. Momentos como esse não passam sem deixar marcas históricas. Não sei o que vai acontecer. Ninguém sabe. Mas a cultura não é estática. Ela incorpora, interage e/ou substitui elementos, anseios, personagens, dilemas e representações. Ela está em constante transformação. Transformação, muitas vezes, dolorida e conflitante. A única coisa que sei – além do que já disse – é que a primeira coisa que me veio à lembrança no dia 17 de junho de 2013 foi Chico Buarque cantarolando nos tenebrosos (porém, criativos) anos de 1970, “amanhã vai ser outro dia”. E a terça nasceu diferente.

ANBio na mídia



Clubinho de Ofertas na mídia



quarta-feira, 12 de junho de 2013